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Especial Dia das Mães: o desafio da maternidade em tempos de pandemia

Desembargadora Regina Gláucia e o filho Luiz Carlos Jr.

O Dia das Mães no segundo ano de pandemia é comemorado de maneira diferente. As mulheres tiveram que se adaptar a uma nova realidade que impactou suas rotinas pessoais e profissionais. Para as mães que tiveram seus filhos durante a crise mundial do coronavírus, um desafio a mais. Os efeitos da covid-19 na sua gestação, nos seus rebentos e na sua própria saúde foram preocupações adicionais em um contexto de isolamento social. No Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT/CE), de acordo com dados do Sistema Integrado de Gestão de Pessoas da Justiça do Trabalho (Sigep-JT), desde o início da pandemia, 22 servidoras deram à luz nesta difícil fase da humanidade.

Diante da elevação da mortalidade materna durante a pandemia, em março deste ano o Governo Federal incluiu as gestantes com comorbidades na prioridade da vacinação contra a covid-19. Mais recentemente, em nota técnica publicada no dia 26 de abril, o Ministério da Saúde incluiu as grávidas (independentemente da idade gestacional) e puérperas no grupo prioritário da vacinação.

Trabalho e maternidade

Para a desembargadora Regina Gláucia Nepomuceno, presidente do TRT/CE, as mães têm enfrentado inúmeros desafios, desdobrando-se em muitas para atender às contingências diárias de ser trabalhadora, dona de casa, professora e tantas outras, em um contexto desconstruído e de confinamento causado pelo cenário de crise sanitária.

Ana Jouse e as filhas Sofia e Letícia

“O mesmo se diga sobre aquelas que têm se investido na coragem de dar à luz em um cenário, ainda, de incertezas e de medo. Tudo isso somado à expectativa social que ainda não se desconstruiu acerca do ‘papel de mãe’, historicamente concebido, acaba, por vezes, por conduzi-la à exaustão e ao adoecimento físico e mental”, considera a magistrada, que também é mãe.

“É preciso, mais ainda, repensar e redimensionar as fórmulas de estruturação e postura familiar, por meio da partilha de informações, da escuta empática mas, principalmente, diante de uma atitude, de olhar generoso e estimado das mulheres sobre si mesmas”, complementa a desembargadora.

Roberta e a filha Clara

Mães na pandemia

As visitas nem sempre puderam acontecer, os avós não puderam visitar seus netos como queriam, pais e mães se viram assoberbados com atribuições diferenciadas e inusitadas. Essas foram algumas das adversidades relatadas pela servidora da 12ª Vara do Trabalho de Fortaleza Ana Jouse Tomaz Fonseca, mãe de Letícia, 1 ano, e Sofia, 3 meses. “A dificuldade é de não ter a rede de apoio, não ter meus pais presentes, não poderem ver a neta crescendo, privada do convívio da família”, comenta. No meio da conversa para a reportagem, teve que interromper. “Ih, a bebê acordou! (choros de criança). “Talvez eu tenha outro tempinho mais tarde”. Não teve, claro.

Já em relação à Letícia, de um ano de idade, a servidora cita a limitação de espaço. “O maior desafio é o isolamento, porque não tem passeio para elas irem, ficam só no mesmo ambiente e a convivência com outras crianças fica muito restrita”.

Mesmo diante desse contexto desafiador, Ana Jouse mencionou que a sua experiência se completou depois da maternidade. “Porque com eles a gente conhece o maior amor do mundo, e é esse amor que vai encher o coração dos nossos filhos e ser repassado depois para os filhos deles. Precisamos abastecer o mundo de amor”, finaliza a servidora.

Roberta Correa Martins Carvalho teve a festinha de um aninho da sua filha Clara, hoje com dois anos, cancelada um dia antes do evento. E como explicar para uma criança que, apesar de a mãe estar em casa, não poderia brincar com ela? Essas e tantas outras situações foram mencionadas pela diretora de secretaria da 8ª Vara do Trabalho de Fortaleza. 

“O dia passou a girar inteiro em função do trabalho. Como há várias interrupções, seja em função dos cuidados com a casa ou com a criança, para compensar, o trabalho começa ao acordar e só termina antes de dormir. Frequentemente fiquei trabalhando até as 23h e sempre com a sensação de que precisava trabalhar mais”, observa Roberta.

Outro aspecto citado pela servidora é a necessidade de se ter uma válvula de escape. “Sobra pouco tempo (quando sobra) para relaxar a cabeça, mas aproveito cada intervalo desses ao máximo e, assim, as coisas vão funcionando, nem sempre do jeito ideal, mas funcionam”, relatou.

Chamadas de vídeo, telefonemas e visitas de “porta de casa” foram algumas das estratégias implementadas pela gestora. “As ligações telefônicas passaram a fazer parte da rotina diária em forma de videochamadas. Todo dia a Clara vê os avós e conversa com eles. Além disso, as ligações para irmãos, tios e amigos se tornaram mais frequentes”, declara Roberta, que ressalta a participação ativa do esposo na rotina do lar.

Apesar de tantas dificuldades, Roberta reforça a beleza da maternidade. "O olhar e o sorriso estampados no rosto da minha filha pelo simples fato de me ver. Não existe ninguém no mundo que me olhe como ela e me faça sentir tão amada e querida. É um amor puro e lindo”, conclui a servidora.

Produtividade

De acordo com a presidente do TRT/CE, mesmo diante dessa conjuntura de dificuldades, a Justiça do Trabalho do Ceará vem constatando uma substancial produção jurisdicional e administrativa. “Aqui existe a participação intensa das mulheres nas diversas áreas, bem como nas tomadas de decisões, imprescindíveis ao novo pensar e agir desta Corte para a continuidade da efetiva prestação jurisdicional”, comemora a gestora.

A desembargadora finaliza homenageando todas as mães, magistradas, servidoras, terceirizadas e estagiárias que fazem parte da Justiça do Trabalho do Ceará. “Esta Corte reconhece as dificuldades enfrentadas por quem é mulher e mãe e registra seu reconhecimento e respeito e roga por um caminhar, cada vez mais, de união, de humanização das tarefas, fortalecimento e de superação”.

Música

O Coral Sétima Voz, do TRT/CE, uniu-se aos grupos Vozes da Justiça e Vozes do Sintufce para cantar em homenagem ao Dia das Mães. Assista ao vídeo:

Reportagem por Jamille Ipiranga, mãe de Paulo e Letícia